maio 21

Cultura organizacional: o que você faz é quem você é

Cultura organizacional é um daqueles termos que todo mundo conhece, mas poucos realmente compreendem. Talvez porque, por muitos anos, tratamos cultura como algo periférico — um adorno, uma formalidade do RH, uma página no manual do colaborador ou um quadro bonito na recepção da empresa.

Mas como bem defende Ben Horowitz em seu livro “What You Do Is Who You Are”, a cultura não é o que você diz que valoriza. É o que você faz, todos os dias, em todas as decisões, inclusive nas mais difíceis. A cultura real de uma empresa está nos comportamentos que são recompensados, nos erros que são tolerados, nas atitudes que se repetem mesmo sem supervisão. A cultura é o reflexo vivo das escolhas que a organização faz.

Ao longo dos anos, no Instituto Ludwig & Poloni, temos acompanhado de perto organizações que prosperam graças a uma cultura forte, coerente e intencional — e outras que patinam porque mantêm uma cultura frágil, incoerente ou, pior ainda, invisível. E a diferença entre uma e outra quase nunca está nos produtos, nos processos ou nos planos estratégicos. Está, quase sempre, nas pessoas e na forma como elas convivem, se conectam e tomam decisões.


Cultura é comportamento, não discurso

O maior erro que vemos em muitas organizações é a tentativa de definir cultura apenas com palavras. Missão, visão e valores são importantes — mas só fazem sentido se estiverem conectados com atitudes visíveis no cotidiano.

Se uma empresa afirma que “valoriza o cliente acima de tudo”, mas os processos internos priorizam eficiência sobre empatia, a mensagem real está clara: o cliente vem depois da meta. Se diz que “apoia a inovação”, mas pune qualquer tentativa que saia do script, a cultura que prevalece é a do medo.

“Cultura não está no que está escrito. Está no que é vivido”.

E é por isso que, no Instituto Ludwig & Poloni, sempre iniciamos qualquer diagnóstico de cultura organizacional observando comportamentos. O que está sendo premiado? Quem é promovido? Que tipo de atitude é incentivada ou silenciada? Essas perguntas revelam mais sobre a cultura real do que qualquer slogan institucional.

Cultura não é algo que se “implementa” – é algo que se constrói e se sustenta

Outro erro comum é tratar a cultura como um projeto com início, meio e fim. Cultura não é um sistema que você instala. Ela não está pronta em três meses e não se encerra com um workshop de fim de semana.

Cultura é uma construção contínua. É feita de símbolos, rituais, histórias e hábitos. É moldada por quem chega, por quem sai e, sobretudo, pelas lideranças que definem o tom. E, como toda construção viva, ela exige manutenção constante.

Por isso, nossos projetos de cultura no Instituto não se limitam a uma fase de “imersão”. Trabalhamos lado a lado com os líderes e com os times para transformar valores abstratos em práticas concretas. Isso significa, muitas vezes, revisar processos de avaliação de desempenho, realinhar critérios de promoção, redesenhar jornadas de onboarding e até ajustar políticas de remuneração — tudo para garantir que a cultura desejada esteja refletida na prática.

A cultura é responsabilidade da liderança – e começa pelo exemplo

Se existe uma verdade absoluta sobre cultura, é esta: ela vem de cima. Os líderes moldam a cultura, quer queiram ou não.

Já acompanhamos empresas em que o CEO falava incansavelmente sobre “cultura de confiança”, mas mantinha um estilo de gestão controladora e centralizadora. Em outro caso, o discurso era de “ambiente colaborativo”, mas os líderes recompensavam a competitividade individual. O resultado? Uma cultura confusa, onde os colaboradores não sabem em que acreditar — e agem com base na autopreservação.

“Se você quer mudar a cultura, comece mudando seu comportamento.”

O maior indicador de uma cultura sólida é a coerência entre o que os líderes dizem e o que eles fazem. E essa coerência é visível nos detalhes: como tratam suas equipes, como escutam (ou não) opiniões divergentes, como lidam com erros e como tomam decisões em momentos de pressão.

Liderar pela cultura exige humildade, presença e, sobretudo, consciência. Por isso, em nossos programas de desenvolvimento de liderança, incentivamos reflexões profundas sobre o impacto simbólico das atitudes cotidianas dos gestores. Porque cultura não se impõe — ela se inspira.

Cultura é estratégia. E sem ela, estratégia não se sustenta.

Uma organização pode ter um plano estratégico brilhante, com metas ambiciosas, tecnologia de ponta e recursos financeiros generosos. Mas se a cultura não estiver alinhada, tudo isso pode ruir.

Cultura é o solo onde a estratégia é plantada. Se for fértil, tudo floresce. Se for tóxico, nada vinga.

Em uma empresa com cultura tóxica, até as boas ideias morrem na raiz. Iniciativas inovadoras são sufocadas por burocracias, talentos promissores pedem demissão, equipes se desmotivam e decisões importantes são tomadas com base no medo, e não na confiança.

Já vimos empresas prometerem “transformação digital” sem estarem dispostas a transformar o comportamento dos seus líderes. Resultado? Ferramentas modernas, mas práticas antiquadas. Falta de alinhamento, desperdício de recursos e frustração coletiva.

Cultura inclusiva é cultura inteligente

Não podemos falar de cultura organizacional sem abordar a importância da inclusão. Uma cultura forte não é aquela que molda todas as pessoas ao mesmo perfil, mas sim aquela que consegue integrar a diversidade de forma coerente com seus valores.

No Instituto Ludwig & Poloni, temos um compromisso claro com a valorização de profissionais experientes, especialmente aqueles com 50 anos ou mais, muitas vezes invisibilizados no mercado. Acreditamos que uma cultura verdadeiramente evoluída é aquela que reconhece o valor da trajetória, da escuta ativa e da pluralidade de experiências.

Em nossos programas de mentoria e realocação, vemos diariamente o impacto positivo de uma cultura que valoriza diferentes gerações trabalhando juntas. Empresas que abraçam essa diversidade não apenas ampliam sua visão de mundo — elas se tornam mais ágeis, mais empáticas e mais preparadas para os desafios contemporâneos.

Diagnóstico cultural: o ponto de partida para qualquer mudança

Muitas empresas nos procuram dizendo que querem “melhorar o clima” ou “engajar os colaboradores”. Mas quando vamos investigar a fundo, percebemos que o problema é mais estrutural: a cultura da empresa está desalinhada com sua ambição.

Por isso, o primeiro passo de qualquer trabalho do Instituto Ludwig & Poloni é o diagnóstico de cultura organizacional. A partir de entrevistas, observações, dados e escuta ativa, conseguimos mapear o que está sendo vivido — não o que está sendo dito.

Esse mapeamento permite identificar os pontos fortes que podem ser preservados e os padrões disfuncionais que precisam ser transformados. Mais do que apontar problemas, o diagnóstico cultural oferece clareza. E clareza é o primeiro passo da mudança.

Construindo uma cultura que sustente o futuro

Num mundo em constante transformação, com novas tecnologias, novos modelos de trabalho e novas expectativas de colaboradores e clientes, ter uma cultura forte não é um luxo — é uma necessidade estratégica.

Empresas que constroem e sustentam culturas sólidas têm mais capacidade de adaptação, mais poder de atração de talentos e mais engajamento de suas equipes. Elas não apenas sobrevivem às mudanças — elas lideram o movimento.

Mas construir essa cultura exige intenção. Exige alinhamento. E exige, acima de tudo, uma liderança que compreenda que cultura não é uma abstração filosófica — é um conjunto de comportamentos, decisões e relações humanas.

“A cultura é quem você é quando ninguém está olhando.” E essa verdade é tão poderosa quanto desafiadora.