jan 22

Quando aceitar uma nova oportunidade como Gerente Geral na hotelaria

Uma reflexão madura sobre decisões de carreira que vão muito além do cargo.

Quem está na posição de gerente geral sabe: aceitar um novo desafio na hotelaria nunca é uma decisão simples.

À primeira vista, a proposta pode parecer irrecusável. Um hotel maior, uma marca mais conhecida, um pacote financeiro melhor. Mas, com o tempo, a gente aprende que cargo não garante contexto. E contexto, na hotelaria, é tudo.

Antes de dizer “sim”, vale parar e fazer algumas perguntas que raramente aparecem na conversa formal, mas que definem completamente a experiência depois da contratação.

A primeira delas é sobre expectativa. O que, de verdade, esperam de você? Recuperar resultado? Organizar a casa? Sustentar crescimento? Mudar cultura? Quando isso não está claro, o risco é alto. O gerente geral entra com a responsabilidade, mas sem o espaço necessário para liderar. E aí começa o desgaste silencioso.

Outro ponto sensível é a relação com o proprietário ou com o grupo controlador. Na prática, o dia a dia revela se existe confiança ou interferência constante. Quando o dono ainda “opera o hotel”, o GM vira um intermediário desconfortável, tentando equilibrar decisões técnicas com vontades pessoais. Pouca coisa cansa mais do que isso.

Também é importante olhar para dentro do hotel e observar as pessoas. Nenhum gerente geral sustenta resultado sozinho. A maturidade da equipe, o alinhamento entre as lideranças, a disposição para mudança… tudo isso pesa. Quando a base é frágil e não há abertura, o cargo deixa de ser estratégico e vira apenas operacional.

📊 Em média, Gerentes Gerais na hotelaria costumam permanecer no mesmo cargo por cerca de 1 a 2 anos, segundo uma análise de mais de 1.200 currículos de profissionais da área. Essa estatística revela que muitos GGs mudam de posição rapidamente, o que reforça a importância de avaliar profundamente uma oportunidade antes de aceitá-la

Os números também precisam fazer sentido. Não só ocupação, diária ou resultado, mas a forma como esses indicadores são tratados. Metas desconectadas da realidade, cobranças sem critério e pressão constante costumam indicar um ambiente pouco saudável. Resultado bom não nasce de medo, nasce de gestão.

E talvez o ponto mais negligenciado: como essa empresa cuida das pessoas. Hospitalidade começa internamente. Hotéis que falam muito sobre experiência do hóspede, mas pouco sobre desenvolvimento, feedback e crescimento interno, dificilmente mantêm bons líderes por muito tempo. Pessoas ficam onde sentem que evoluem.

Por fim, existe uma pergunta que só você pode responder: esse desafio conversa com o seu momento de vida e de carreira?

Nem toda oportunidade é para agora. Às vezes, o hotel precisa de alguém para apagar incêndio, e não para construir algo sólido. E está tudo bem reconhecer quando esse não é o seu papel naquele momento.

Com o tempo, a gente entende que dizer “não” também protege a carreira. Um “sim” mal pensado pode custar energia, reputação e até o prazer de liderar.

Mudar de hotel é fácil. O difícil mesmo é encontrar um lugar onde o GG consiga liderar de verdade, com espaço para fazer um bom trabalho e ver o time crescer junto.

Na hotelaria, boas decisões raramente são impulsivas. Elas são conscientes, maduras e alinhadas com quem você é como líder.

É esse tipo de reflexão que sempre trago nas conversas e mentorias do Instituto Ludwig & Poloni. Porque mais do que ocupar um cargo, o gerente geral precisa sustentar uma trajetória.

E trajetória se constrói com critério.

Se fizer sentido para você, vale refletir: o que hoje pesa mais na sua decisão ao aceitar uma nova posição como Gerente Geral?

Rogério Poloni é Headhunter, Mentor e fundador do Instituto Ludwig & Poloni.