Uma reflexão madura sobre decisões de carreira que vão muito além do cargo.
Quem está na posição de gerente geral sabe: aceitar um novo desafio na hotelaria nunca é uma decisão simples.
À primeira vista, a proposta pode parecer irrecusável. Um hotel maior, uma marca mais conhecida, um pacote financeiro melhor. Mas, com o tempo, a gente aprende que cargo não garante contexto. E contexto, na hotelaria, é tudo.
Antes de dizer “sim”, vale parar e fazer algumas perguntas que raramente aparecem na conversa formal, mas que definem completamente a experiência depois da contratação.
A primeira delas é sobre expectativa. O que, de verdade, esperam de você? Recuperar resultado? Organizar a casa? Sustentar crescimento? Mudar cultura? Quando isso não está claro, o risco é alto. O gerente geral entra com a responsabilidade, mas sem o espaço necessário para liderar. E aí começa o desgaste silencioso.
Outro ponto sensível é a relação com o proprietário ou com o grupo controlador. Na prática, o dia a dia revela se existe confiança ou interferência constante. Quando o dono ainda “opera o hotel”, o GM vira um intermediário desconfortável, tentando equilibrar decisões técnicas com vontades pessoais. Pouca coisa cansa mais do que isso.
Também é importante olhar para dentro do hotel e observar as pessoas. Nenhum gerente geral sustenta resultado sozinho. A maturidade da equipe, o alinhamento entre as lideranças, a disposição para mudança… tudo isso pesa. Quando a base é frágil e não há abertura, o cargo deixa de ser estratégico e vira apenas operacional.
📊 Em média, Gerentes Gerais na hotelaria costumam permanecer no mesmo cargo por cerca de 1 a 2 anos, segundo uma análise de mais de 1.200 currículos de profissionais da área. Essa estatística revela que muitos GGs mudam de posição rapidamente, o que reforça a importância de avaliar profundamente uma oportunidade antes de aceitá-la
Os números também precisam fazer sentido. Não só ocupação, diária ou resultado, mas a forma como esses indicadores são tratados. Metas desconectadas da realidade, cobranças sem critério e pressão constante costumam indicar um ambiente pouco saudável. Resultado bom não nasce de medo, nasce de gestão.
E talvez o ponto mais negligenciado: como essa empresa cuida das pessoas. Hospitalidade começa internamente. Hotéis que falam muito sobre experiência do hóspede, mas pouco sobre desenvolvimento, feedback e crescimento interno, dificilmente mantêm bons líderes por muito tempo. Pessoas ficam onde sentem que evoluem.
Por fim, existe uma pergunta que só você pode responder: esse desafio conversa com o seu momento de vida e de carreira?
Nem toda oportunidade é para agora. Às vezes, o hotel precisa de alguém para apagar incêndio, e não para construir algo sólido. E está tudo bem reconhecer quando esse não é o seu papel naquele momento.
Com o tempo, a gente entende que dizer “não” também protege a carreira. Um “sim” mal pensado pode custar energia, reputação e até o prazer de liderar.
Mudar de hotel é fácil. O difícil mesmo é encontrar um lugar onde o GG consiga liderar de verdade, com espaço para fazer um bom trabalho e ver o time crescer junto.
Na hotelaria, boas decisões raramente são impulsivas. Elas são conscientes, maduras e alinhadas com quem você é como líder.
É esse tipo de reflexão que sempre trago nas conversas e mentorias do Instituto Ludwig & Poloni. Porque mais do que ocupar um cargo, o gerente geral precisa sustentar uma trajetória.
E trajetória se constrói com critério.
Se fizer sentido para você, vale refletir: o que hoje pesa mais na sua decisão ao aceitar uma nova posição como Gerente Geral?
Rogério Poloni é Headhunter, Mentor e fundador do Instituto Ludwig & Poloni.

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