Como equilibrar inovação, coerência e presença no dia a dia da liderança.
Nos últimos meses, as escolas de negócios de Harvard e Stanford têm destacado um ponto em comum: os líderes do futuro não serão apenas rápidos em se adaptar — serão capazes de agir com agilidade sem perder a coerência dos valores que os sustentam.
Parece simples, mas é o grande dilema da liderança contemporânea.
Vivemos uma era em que a mudança é permanente: novas tecnologias, perfis de clientes em transformação, pressões por sustentabilidade, reorganização do trabalho e desafios de engajamento nas equipes. Em meio a tudo isso, líderes são chamados a se reinventar — sem perder o eixo que dá sentido ao que fazem.
⚖️ O novo desafio da liderança
Um recente estudo da Harvard Business Publishing sobre desenvolvimento de liderança em 2025 define o perfil emergente dos líderes como “fast, fluid and future-focused” — rápidos, fluidos e orientados para o futuro.
Mas o próprio estudo alerta: velocidade sem propósito leva à fragmentação.
É aqui que entra o conceito que Stanford vem explorando: “consistência de valores.” Segundo professores da Stanford Graduate School of Business, o papel do líder não é apenas decidir rapidamente — é garantir que cada decisão, mesmo em meio à disrupção, reflita o propósito central da organização.
Em outras palavras: o futuro pede líderes que saibam equilibrar agilidade estratégica e consistência de valores.
💡 Agilidade que preserva a identidade
Esse equilíbrio é particularmente visível na hotelaria — um setor que sempre foi feito de pessoas, detalhes e presença.
De um lado, temos a digitalização dos serviços: check-ins automatizados, inteligência artificial no atendimento, novos canais de reserva. De outro, a essência da hospitalidade continua a mesma: olhar, escuta e cuidado genuíno.
Mas há um ponto muitas vezes negligenciado: a inovação não chega de forma igual para todos dentro do hotel. Enquanto a recepção ganha sistemas integrados e o marketing opera com ferramentas de dados, atividades como governança, cozinha, lavanderia e manutenção pouco mudaram na prática.
Essas funções, fundamentais para a operação, ainda dependem de habilidade manual, atenção humana e presença constante. E é justamente aí que a liderança se torna mais desafiadora.
Atrair, desenvolver e reter esses profissionais — camareiras, cozinheiros, mensageiros, jardineiros — é hoje um dos maiores desafios da gestão hoteleira. Com menos avanços tecnológicos e poucos incentivos de carreira, formar e engajar equipes de base é um verdadeiro diferencial competitivo.
Liderar nessas áreas exige proximidade, escuta ativa e reconhecimento. É onde o discurso sobre valores se transforma em prática diária — e onde a coerência entre o que a empresa prega e o que vive é percebida de forma mais nítida.
🧭 Liderança com base em valores: o novo diferencial competitivo
A Harvard Business Review tem reforçado que as organizações mais resilientes são aquelas com cultura forte e líderes que a vivem no dia a dia. Um de seus artigos recentes traz o conceito de “strategic integrity” — integridade estratégica —, a capacidade de alinhar decisões ágeis a um propósito estável.
Líderes com integridade estratégica:
- Tomam decisões rápidas, mas comunicam o “porquê” de cada uma;
- Experimentam e testam, mas preservam a identidade da marca;
- Valorizam resultados, mas nunca às custas dos valores humanos e da cultura.
Em setores de serviço, como a hotelaria, isso é ainda mais evidente: o hóspede sente quando há coerência. Não se trata apenas de eficiência — trata-se de credibilidade emocional, algo que nasce de equipes que confiam na direção que recebem.
🧩 Como equilibrar agilidade e consistência na prática
Segundo Harvard e Stanford, três movimentos são essenciais:
- Criar um ambiente de aprendizagem contínua A agilidade nasce da curiosidade. Líderes que estimulam o aprendizado — cursos, feedbacks, novas práticas — preparam equipes para reagir com confiança diante da mudança.
- Definir “valores norteadores” não negociáveis Em tempos de incerteza, os valores são o mapa. Ter clareza sobre o que é essencial (respeito, hospitalidade, ética, excelência) evita que a agilidade se transforme em improviso.
- Permitir experimentos controlados Inovar com segurança: testar novas ideias em pequena escala, avaliar resultados e ajustar antes de expandir. É o modelo das organizações que aprendem — ágeis, mas coerentes.
🎯 O que o mercado está pedindo dos líderes
Como headhunter, vejo diariamente que esse equilíbrio é o que diferencia os executivos mais bem-sucedidos. As empresas não buscam mais apenas quem entrega resultados rápidos, mas quem sabe transformar a cultura enquanto entrega resultados.
São profissionais que transitam bem entre a estratégia e a sensibilidade humana, entre o planejamento e o diálogo. Que entendem que resultados consistentes não vêm apenas da pressão, mas da clareza de propósito e da confiança que inspiram.
🌍 Reflexão final
O mundo não vai desacelerar. A disrupção tecnológica, as novas gerações e as transformações sociais continuarão a desafiar nossas formas de liderar.
Mas talvez a verdadeira liderança do futuro seja a que consegue avançar sem perder o centro — aquela que evolui mantendo o coração no mesmo lugar.
Em um setor que vive de acolher pessoas, a liderança é, acima de tudo, um ato de coerência e presença.
E talvez seja isso o que Harvard e Stanford estejam realmente nos lembrando: no fim das contas, o líder que inspira é aquele que sabe mudar o mundo sem se esquecer de quem é.
💬 Convite à reflexão
Na sua equipe, quais áreas sentem mais os impactos (ou a ausência) da inovação? Como você tem conseguido engajar profissionais de base — aqueles que mantêm o hotel funcionando, mas raramente aparecem nas fotos?
Deixe seu comentário. A conversa sobre liderança se enriquece quando vem acompanhada das histórias reais — as que acontecem nos bastidores, onde a hospitalidade é feita todos os dias.
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